segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

 hoje depois de muito tempo, estou aqui, sentada na frente do meu computador pra escrever. E esse insight veio por causa de uma mínima conversa com com meu chefe, e dessa vez foi boa. Onde ele me fez ver que eu preciso descansar e cuidar de mim.

E no caminho de casa, dirigindo meu carro pensei: Onde eu perdi a Vanessa que era feliz, se amava e fazia tudo brilhar a sua volta?

Batalhei demais pra chegar até aqui. E poxa vida quanto perrengue. Mas acho que deixei se perder muita coisa nesse árduo caminho de ser alguém no mercado de trabalho.

Lembro de quando eu era apenas uma estudante sonhadora na cidade grande. Eu tinha um papel, uma caneta na mão, um sonho no coração e uns 10 pila no bolso. E como eu era feliz passando perrengue.
Poderia escrever um livro cheio de contos.

Mesmo sem grana, sem carro, pagando aluguel, ralando pra sobrar uma graninha de fim de mês, fazendo uns trabalhos extras pra ter uns trocador pra cerveja no barzinho cheio de gente estranha e feliz.
Eu escrevi sobre vida, pessoas e amores. 
Eu amava loucamente e desamava também. Me apaixonava e sorria, chorava e tomava banho sentada no chuveiro.
Eu era feliz pra caramba, mesmo sem nada, sem emprego decente.

As vezes eu acho que Casca consumiu meu jeito doido de ser e travou a minha liberdade de ser feliz.
Me fez amadurecer rápido o que eu deveria ter amadurecido aos poucos.
Me trouxe uma responsabilidade financeira grande demais. Podou minhas asas e me moldou em uma forma que não sou.

Ou apenas envelhecer dói demais e eu não esteja aceitando. Endureci demais. Muito com os outros, mas talvez demais comigo.
Cadê aquela menina que tinha um lápis, um caderno e sonhos pra escrever?
Que fazia tudo brilhar ao seu redor? Que faziam as pessoas se apaixonarem por ela só de olhar?

Me cobro demais e consequentemente cobro demais todos que estão ao meu redor.

Hoje percebi que preciso desacelerar ou vou enlouquecer.
preciso buscar cada pedacinho que perdi nesse caminho que não sei como trilhei.

Preciso reencontrar meu amor próprio e batalhar como sempre fiz.

Eu tinha meia dúzia de roupas uns poucos sapatos, eu era a pessoa mais feliz da vida.
Hoje tenho um guarda roupa entupido de coisas e não sinto prazer em nada que olho.
Onde foi que me perdi?


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Um banco inteiro

Era uma noite de sexta chuvosa, quente, abafada. O carro estacionou em frente a porta sem aviso prévio. Um misto de emoções, duvidas, certezas e medos. Eu, você e todos nos que temos as mesmas ideias. Um banho pra sair, um vestido, meias e um batom vermelho pra sorrir. Olhou o carro estacionado na frente da casa, ele combinava com as florzinha pequenas azuis claras do jardim. Foi caminhado lentamente até o carro, a noite estava linda e a rua vazia. A porta foi aberta lentamente, o cheiro era o mesmo de todos os anos. Os olhos pequenos e esverdeados curiosos a fitavam sem piscar.


Ela havia mudado e ele sentia, ele era o mesmo estrangeiro de sempre. Sua mão na barra do vestido brincava com a renda da meia, sem palavras uma vida foi contada apenas em olhares. Ela sorriu e ele entendeu. A partida foi dada, o cabelo e a barba continuavam os mesmos, o cabelo dela estava colorido. 

As mão se entrelaçaram contando os novos planos. A música tocava suave entre uma conversa cheia de histórias e saudades. 

A mão segurando a mão dela e brincando com a renda. Aquele olhar estrangeiro de um morador nato do corpo dela, era tão natural. O banco inteiro pelo qual ela se apaixonou por ficar mais perto da nuca dele. 

Pele, mãos, cabelos, gosto, cheiro, fusão. Estranhos, abraços, afeto. Beija. Me entenda, se entenda, sem vergonha, Loucura, paixão, razão. Intenso, mau-humor, piada. Libertino, te odeio, em brasa, me afaga. Meio avesso, cansaço, charme, carícia. Céu, paraíso, inferno, beleza. As mãos estavam em todos os lugares.  E se encaixavam direitinho no banco branco que contrastava com o cabelo dela. Suspiros. 

Um eterno olhar de quem conhece a vida e as dores do outro.
Ele era o mesmo estrangeiro, ela já não era mais a mesma que carregava uma escola de balet no olhar. 

No carro tocava Portishead.  E o vazio da existência dela dentro dele começava a pesar. Ela já não era mais dele.